quarta-feira, fevereiro 18, 2009

201

O que escrever?

O que contar?

O que partilhar de uma vida que não se vive? Que não se sente?Que não se quer?

...

Eu costumava escrever.... escrevia estrofes e palavras que rimavam e faziam algum sentido para mim. Serviam de desabafo. Era o meu "grito mudo", a minha liberdade.

Hoje em dia já não escrevo. Tenho de sentir vontade. Sentir vontade de escrever é algo dificil quando se deixou de sentir não é?....

Escrevia quando estava dorida, mas não dilacerada. Tinha de ter algum conforto em mim para poder organizar as palavras ao meu belo prazer.

Se estava bem porquê escrever? Se estava assim tão mal, onde estão as forças para gritar?

É normalmente no estado de dormência que apareciam os meus desabafos, tentativas de poesia que espelhavam um pouco de mim.

Já não escrevo....

Já não há o que espelhar..

sábado, janeiro 24, 2009

200

Porque é q eu não consigo sentir as coisas supostamente boas? Será pq não existem ou porque tornei gélida por dentro?

Só sinto os demónios e as dores q me atormentam.... sempre...
se a minha vida é suposto ser isto, não acho que a queira viver....

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Vidas

A Vida continua a mesma...

Débil, sem sabor, com dor e sempre sem parar...

Tou habituada a viver com a dormência e alguma dor, o meu conhecido sangrar diário, mas há dias em que me sinto pior... sem forças para manter a máscara e aparente boa disposição.

Nesses dias tudo me afecta.... o estar de urgências, uma consulta, a indiferença de alguém.

Confirmo cada vez mais que sou uma pessoa de rotinas. Em tudo mesmo.... Mesmo no que toca a criar projectos gosto quando sei o que estou a fazer, gosto quando atinjo um patamar de conforto em que sei plenamente o que tenho de fazer e qual o resultado. Essa satisfação é rara na profissão que escolhi.... mas que remédio se não mantê-la....

Não estou deprimida ou alguma vez estive. Costumo dizer que só fica deprimido quem pode.... não sei se é verdade, mas sei que nunca tive hipótese de estar.

Suicidou-se aqui na zona, há pouco tempo, um rapaz mais novo que eu....

Quando falo em suicídio como um acto de coragem e não cobardia vejo pessoas a contorcer-se ao pé de mim. Relembro... não sou corajosa....

Vejo-o como algo natural. Não tenho uma pena imensa das pessoas que ficam nem penso "que egoísta". Se a única coisa que realmente é nosso é a nossa vida, não podemos fazer dela o que nós queremos? Até na escolha da morte temos de passar por egoístas?.... "o que ele fez aos pais...tsc tsc"... Era preferível tê-lo a sofrer uma vida inteira para os pais não sofrerem? quem é egoísta agora?....

Estou a divagar. Enfim... tudo devido ao cansaço....estou mesmo muito cansada de tudo....tudo mesmo.... vale a associação protectora de animais para me obrigar a pensar em caixas e sacos e diabo a sete para se criar e vender.

Talvez seja melhor ter as mãos em movimento e a cabeça a pensar em pincéis e costuras....

Talvez isso deixe menos espaço para os demónios....

Talvez....

sábado, janeiro 10, 2009

I Wish....

'Chegará o dia em que os homens
conhecerão o íntimo dos animais, e,
neste dia, um crime contra um animal
será considerado um crime contra a
humanidade'..

Leonardo da Vinci (1452-1519)


sábado, janeiro 03, 2009

Disseram-me em tempos que gostavam da maneira como eu escrevia.

Pareceu-me e parece ainda um pouco absurdo, simplesmente porque apenas escrevo o que sinto, nem mais nem menos.

Parece-me muito lógico...

Não preciso de subterfúgios e palavras caras para exprimir o que sinto.

Para exprimir o que sinto tenho de o escrever como o sinto: de modo simples.

Ou se sente ou não, e embora muitas vezes não o saibamos descrever, sabemos o que sentimos, simplesmente...

Parece linear e posso um dia provar a mim mesma o contrário mas é o que eu sinto agora...

Não tenho grandes teorias para mostrar, discursos e crenças elaboradas, textos existencialistas e profundos que fazem pensar. Por vezes gostava, mas acho que sou demasiado simples e racional para isso.

Prometi a mim própria ser sincera no que escrevo. E se em tempos senti a censura de ser lida por pessoas às quais não desejo expor partes de mim, acho que por agora prefiro bloquear isso.

Mais uma coisa bloqueada por mim..... Mais uma de tantas, mas que me permite escrever, que me permite ir vivendo.

O que fazer?

O que fazer quando aquilo que te fez aguentar quase tudo, tolerar todos os dias iguais de estupor e descontentamento não é o que sonhavas?

O que fazer quando o que o que te fez perdurar e aguentar tanto com a promessa de momentos felizes ou pelo menos de contentamento é afinal uma desilusão?

Como continuar em frente? Como arranjar aquela força que nos faz viver e suportar o dia a dia?

O que almejar agora?

Onde está minha luz ao fundo do túnel?

Posso não saber muitas coisas, posso não saber muito do que sou.

Infelizmente sei uma coisa.... sei que não sou feliz.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Para quem se questiona sobre o que eu ando a fazer ultimamente (ninguém), é nisto que eu tenho tentado fazer a diferença, deixar uma marca da minha passagem...


Infelizmente o mundo não é cor de rosa como eu gostaria e isto é uma maneira bem dura de confirmar isso...

sexta-feira, novembro 21, 2008

A única coisa que me prende à vida é o meu sentido de responsabilidade.



Triste e patético não é? Concordo....

domingo, novembro 09, 2008

I'm not ok.

I just wish this could all be over.

Right now. I don't want this life anymore.

I'm tired.

No more.... please... no more.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Gostava...

Gostava de ser utópica, de acreditar que tudo pode ser perfeito. Que tudo pode correr bem.

Abandonei essa crença há muito tempo, por força das circunstâncias e da vida. No entanto, a vida continua a achar que me deve mostrar quase todos os dias essa parte cruel dela...

Não acho muito sentido na minha vida, nunca achei, por isso acho que tentei encontrar algo que me fizesse sentir um pouco mais útil, quem me desse algum propósito.

Comecei a ajudar a Associação Protectora de Animais da zona.

Como na profissão de médica veterinária, também se aprende cedo que não há utopias: há animais que não podem ser salvos, há animais que os donos não querem salvar, há animais que podem ser salvos mas não há meios ou dinheiro ou maneira de o fazer....

Essa noção torna-nos mais frios, tem de tornar caso contrário perder-nos-iamos no meio de tudo isso...

Na Associação acontece o mesmo.... infelizmente...

Gostaria que pudéssemos ajudar todos, que todo o nosso esforço fosse recompensado com um lar, com um sitio para os colocar, tratar e familias que os alojassem.

Gostaria que não me olhassem de lado quando pedimos ajuda para os socorrer, para os alimentar.

Gostaria que o nosso trabalho voluntário não fosse denegrido a cada hipótese que há, que as pessoas percebessem que não temos obrigação nem que os impostos lhe conferem o direito de mandar e dispor de nós. Que não chegamos a ser uma mão cheia de pessoas.

Gostava que hoje não tivessemos que eutanasiar dois cachorros com uma semana abandonados por não haver quem os criasse ou se de facto assumissemos esse encargo, não haver dentro de 2 meses quem quisesse adoptar duas cachorras rafeiras....

Eu gostava de muita coisa, mas estou cansada demais para desejar o que quer que seja... Deixei de acreditar em finais felizes...

domingo, setembro 07, 2008

Fio da vida

Chega ao fim mais um verão....

Ainda não tive férias e continuo saturada da minha vida na clínica, cada vez mais...

Estabeleceu-se um novo recorde hoje.... faz anos que não vou à praia em Portugal ou que tomo um banho no Atlântico. Mas hoje foi o primeiro verão em que nem sequer tomei um banho de piscina, nem na minha piscina.

Impressionante como a dormência se instala.

Já não sei viver, vou sabendo cada vez menos. Cada vez mais o fio que me prende à vida se vai estreitanto.

Vamos ver quando é que ele parte...

quinta-feira, julho 17, 2008

Frightened little soul

You live your life the wrong way
Just want to scream your pain away
To find something to fill the void
Something to make you wanna stay

But you’re so damned afraid
You can’t even fight for your happiness
You end up crying weakly again
Wishing away in your loneliness

It doesn’t really make sense
Yet you simply cannot move
Life has become a burden
You just can’t seem to choose

Frightened little soul
Such a pitiful waste of space
Someone should just do
What you’re so scared to face

You probably wish you were stronger
Someone who could face the world
Too bad little fellow
You’re just a scared tiny girl

How can you not know yourself?
How can that possibly be?
Are you clueless?
Or just too afraid to see?

To see how little you mean to world around you
How little you’ve accomplished in life
To see how weak you have become
To see how there’s simply no hope in sight

CH 2008

sexta-feira, julho 11, 2008

Perdi o meu lugar. E acho que no meio da confusão também me perdi...

domingo, julho 06, 2008

Solidão

Dou por mim a isolar-me. Consegui isso na blogosfera e na minha vida.

Isolo-me em mim, nas coisas que controlo. Parece que facilita um pouco a dor. Se forçarmos a dormência parece não doer tanto.

Se for a ver bem, dói sempre o mesmo...

Mas se me doer quando eu me isolo, posso fingir que dói porque eu me isolei e escolhi que assim fosse. Custa mais sofrer quando tentamos evitar a dor, quando tentamos rodear-nos de pessoas que não conseguem salvar-nos de nós.

Os demónios estão sempre por perto, activos ou à espera na esquina que se segue na nossa vida.

Perdi a vontade.

Por momentos fiz planos para o futuro. Mas isso apenas me prende mais ao presente e me faz questionar se de facto quero um futuro.

Eu sei. Sou uma idiota que aparentemente tem tudo e não dá valor a nada. Infelizmente, ter tudo isso não me dá vontade para viver, não me dá o gosto que perdi faz muito tempo.

Um dia serei mais eloquente e conseguirei explicar tudo o que sinto de um modo lógico e simples. Mas não me sinto lógica ou simples.

Sinto apenas o peso da obrigação e da responsabilidade.

Na minha vida, sinto apenas o peso.

terça-feira, julho 01, 2008

Can I press the button?

Senti vontade de voltar a escrever.

Não é necessariamente uma coisa boa. Simplesmente é.

A minha visão continua turva, a alma continua a sangrar, vivo apenas por viver.

Sei que é um desperdício de espaço, mas a cobardia é uma coisa tramada.

Continuo presa numa vida que não quero, continuo sem saber o que fazer.

Dou por mim a pensar que se morresse nada ficaria para trás. Nenhuma marca da minha existência ficaria excepto mágoa.

Não criei nada, não tomei um papel preponderante em nada. Apenas fui vivendo.

Não consigo evoluir porque não me faz sentido evoluir numa vida que me corrói. Porquê apostar num futuro se não o quero?

Isolei-me entre 4 paredes, sejam elas a do meu quarto, do meu carro ou da clínica.

Nesta fase não consigo tirar prazer de quase nada, e mesmo quando consigo, tenho um fantasma que me acompanha e me rouba o à vontade e o sentir.

Queria que tudo simplesmente terminasse. Não quero recomeçar. Não quero tentar de novo. Quero simplesmente carregar no off.

Puff.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Tou farta de trabalhar onde trabalho, de fazer (ou tentar fazer) o que faço, tou farta de ser quem sou e de viver como vivo.

Termina aqui.

Pára aqui o meu sangrar.

Simplesmente morri.

Não que alguém vá notar a a diferença.

E é assim, quase dois anos depois e após agonia prolongada, que administro o meu acto de misericórdia para com este blog, como uma injecção lenta do frasco que tão bem conheço.

O sofrimento acaba aqui.

RIP

segunda-feira, novembro 12, 2007

"A man is least himself when he talks in his own person. Give him a mask and he will tell you the truth."

Oscar Wilde

sábado, outubro 20, 2007

Assusta-me a facilidade e por vezes indiferença que eu ganhei quando tiro uma vida....

Assusta-me a banalidade que o acto tomou para mim....

sábado, outubro 13, 2007

Hoje

Hoje tratei uma gatinha q caiu do 2º andar...

Hoje tratei (com ajuda) de uma gatinha que tinha um prolapso rectal...

Hoje tratei de uma cadela atropelada pelo inem...

Passei uma semana light, sem trabalhar à tarde, excepto hoje, mas sinto-me cansada.... muito cansada...